No Dia Mundial do Combate ao Suicídio, vamos falar sobre a vida?

A saúde mental de nossas crianças e adolescentes através do diálogo como melhor caminho para essa jornada.

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No Dia Mundial do Combate ao Suicídio, convidamos o nosso orientador educacional Bruno Moreira para falar acerca dessa temática tão pertinente para a nossa sociedade. A seguir, uma reflexão breve sobre o tema:

Quem visa o suicídio não quer acabar com a vida, mas sim com o problema existente nela. Portanto, é primordial partirmos desse ponto para considerar a devida problemática diante a condição que o ato suicida implica no sujeito.

Segundo a OMS/OPAS:

  • Cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos;
  • Para cada suicídio, há muito mais pessoas que tentam o suicídio a cada ano. A tentativa prévia é o fator de risco mais importante para o suicídio na população em geral;
  • O suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos;
  • 79% dos suicídios no mundo ocorrem em países de baixa e média renda.

Contudo, a cada ano, cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida e um número ainda maior de indivíduos tenta suicídio. Por isso, cada suicídio é uma tragédia que afeta famílias, comunidades e países inteiros e tem efeitos duradouros sobre as pessoas deixadas para trás. No entanto, o suicídio ocorre durante todo o curso de vida e foi a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em todo o mundo no ano de 2016.

Todavia, a depressão é resultado de uma complexa interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos. Por isso, pessoas que passaram por eventos adversos durante a vida como desemprego, luto, trauma psicológico, são mais propensas a desenvolver depressão.

No Brasil, os dados de óbitos por suicídio apontam para um crescimento contínuo nas últimas décadas. Entre 1980 e 2000, houve o aumento de 21% na taxa de mortes, sendo que os valores foram de duas a quatro vezes maiores entre os homens (Mello-Santos, Bertolotte, & Wang, 2005).

O relatório da Organização Mundial de Saúde (Organización Mundial de la Salud [OMS], 2014), que analisa os dados de mortes por suicídio em 172 nações, assinala que entre os anos 2000 e 2012, houve um crescimento de 10,4% no Brasil, com as maiores taxas entre os homens.

Além disso, o documento também exibe os valores absolutos de 2012, com 9.198 mortes de homens e 2.623 de mulheres. Os dados nacionais foram atualizados por um boletim epidemiológico produzido pelo Ministério da Saúde.

Além do mais, no boletim epidemiológico (Ministério da Saúde, 2017b) supracitado, também foram apresentados os dados referentes às tentativas de suicídio no país, pois, com informações provenientes do Sistema de Informação de Agravo de Notificação (Sinan), foi observado, no intervalo entre 2011 e 2016, que o número de tentativas registradas de mulheres (69%) superou o dobro do total de homens (31%).

De acordo com os dados da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF)

Segundo André Gordilho, a depressão é um dos principais responsáveis pelo índice de suicídios. Acredita-se que 70% dos suicídios são decorrentes de transtornos de humor (depressão, transtorno bipolar, transtorno distímico, etc.). O Brasil vem apresentando aumento considerável no diagnostico de ansiedade e concomitantemente a depressão, que não atoa, formam uma dupla dinâmica no adoecimento do sujeito.

Dois pontos são considerados no processo de ansiedade.

O primeiro se deve a baixa capacidade de apreciação do tédio/ócio (é aquele momento em que você abre mão de pegar no seu celular enquanto aproveita a paisagem da viagem), devido a uma alta demanda do nosso sistema de mercado que visa alta produtividade, considerando o que está fora da produtividade como “TEMPO PERDIDO”.  (Esse tempo perdido pode também ser lido como Tempo vivido!)*

Também produzimos ansiedade por dispormos de cabedal tecnológico capaz de saciar nossas demandas imediatistas como, por exemplo, todos os episódios daquela serie in-crí-vel na tranquilidade convidativa de um app que inicia o próximo capitulo em 5.. 4.. 3… “Boom”, daí com tanta felicidade em lidar com suas vontades no rigor do seu desejo, no seu tempo, do seu modo, no conforto do seu sofá.

Vem o mundo real antagonizar essa experiência ao convite de lidar com o outro, que possui capacidade inigualável para nos surpreender ou para nos frustrar a depender da dose com que se planeja controlar aquilo que não é você.

Diante desse triste par, podemos considerar o seguinte esquema: ansiedade como demasiada expectativa frente ao futuro (que sempre dará seu jeito de ser incerto diante as nossas idealizações) e ao passado como um baú de expectativas idealizadas e não concluídas.

Resultado? Futuro rigorosamente idealizado, propiciando ansiedade e passado costumeiramente frustrado decorrente da angustia pelo que sonhou e não conseguiu realizar.

O que surge a partir disso? Sujeitos potencialmente apáticos pelo desconhecimento do que são: humanos falíveis, mas também capazes de criar destinos mais palpáveis e menos idealizados.

Dica 1: O que podemos considerar a partir daí?

Parcimônia ao considerar os projetos e processos da nossa vida. Com isso, gera-se uma contemplação do sujeito em uma maior integralidade, capaz de avaliá-lo não apenas pelo que produziu, mas também pelo percurso que tomou, o que sentiu, o que pode fazer de diferente.

Reconhecer seu lugar no tempo e espaço com um saber compreensivo ao que você viveu de experiência no passado, não comparando-o com o seu eu mais atualizado e consciente do que poderia ter realizado de melhor.

Necessitamos de maior amorosidade para menor morosidade diante aos desdobramentos da vida. É aquele famoso. Um dia de cada vez ou 1% melhor a cada dia.

Outro fator que os dados apontam, está no índice elevado de suicídios com homens chegando a quase triplicar em relação às mulheres.

Um dos pontos está na maneira abrupta com que o homem define seu modo de suicidar. Outro agravante sintomatológico está na cultura que ainda privilegia “o estereotipo do homem casca grossa”.

Dica 2: Para isso, o remédio muitas vezes pode estar no espaço para dialogar verdadeiramente sobre emoções e vulnerabilidades, que perpassam a experiência masculina.   

Seguindo a aposta de falar sobre o que nos aflige: também podemos contar com a instituição CVV (Centro de Valorização da Vida) que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, garantindo a possibilidade de fala. (Tel: 188)

Texto: Bruno Moreira – Orientador Educacional

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